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Capítulo 1,
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A tempestade
As gotas tem tanta violência que ardem ao caírem no chão. Eu sinto molhar, a janela fechada assobiar os dizeres do vento forte que quer entrar e me fazer sentir algo, me trazer a resposta que eu tranquei lá fora ao entrar e fugir da minha pergunta. Eu queria acreditar que essa tempestade é só um pretexto para eu não sair de casa, para eu não acreditar que tenho algo a saber, que tenho uma resposta a receber. É só para distrair a cabeça.
Eu olho a fresta da janela, tentando ver que não a nada, tentando acreditar que não existe nada além das nuvem de algodão. As casas são feitas de doces e os telhados são cobertos de açúcar. O chão é como o mais puro chocolate embalado junto ao bilhete premiado de Willy Wonka. O vento me trás o cheiro de morango, é doce e ténue, parece que está perto de mim… ao meu lado.. em mim… sou eu.
Mas do que adianta? se eu não posso sair daqui, se não posso degustar… Não tenho como aproveitar. Só posso prover da dor do ver e não ter, do querer e não poder. E sofrer ao ver a tempestade lavar tudo, e mostrar a mesma cidade cinza que conheço. Das mesmas casas cor de velho, dos mesmo telhados sujos pelos tempo. E que as nuvens de algodão estão mais pesadas e prontas para descarregar mais uma vez com força todo o acumulo do tempo. O vento só me lembra terra molhada.
Isso tudo é para esquecer que mais um vez, eu me encontro pensando em você, e a pergunta que eu fiz a mim mesmo, só terá a resposta quando eu ter os seus olhos perto dos meus.
(…)
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Capítulo 1,
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Hoje eu faço bodas de papel,
É aniversário dos meus amigos de plástico, das tristes notícias no jornal, do céu em forma de retalhos.
A todas as horas e antes do começo, eu enchi de ser eu mesmo, ainda que o mundo gire para trás, o som que me atormenta é a urgência do amanhã.
Hoje eu sou debutante da minha história, do diploma do meu nascimento até o certificado da minha morte. E assim foram formadas as páginas do diário de classe.
A todas as horas – Bodas de latas vazias
E antes das horas – Eram apenas broxes de papel
Hoje eu comemoro todos e todos os últimos dois dias. A porta de madeira que permanece trancada. Meu sonho com a lua que continua adormecido. Hoje eu começo a comemorar as derrotas que virão depois de amanhã.
Eu fiz bodas de papel, vendi discos de pano e meu mundo acabou num copo de plástico em cima da madeira podre da mesa da sala.
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Capítulo 1,
Primeiras Páginas 1 Comment
Eu olho para o óculos escuro sobre a mesa, numa inesperada manhã de sol. Depois de refletir nele um olhar de dúvida, jogo-o na bolsa e fecho a porta, sem trancá-la.
Mais uma vez, encontro pelo caminho olhares perdidos e inexpressivos. Quem saberá o que se passa por trás dos meus óculos? Meus olhos observam de sua própria janela este mundo singular, onde meu presente se encontra com o passado. A chuva volta de noite. A água cai sobre o asfalto das ruas por onde andei.
Um dia, tudo isso teve cheiro de novidade. Há pouco tempo, o ar carregava o amor e todos os momentos mágicos que se passava por aquelas ruas. Depois toda a agitação se desfez em lembranças que só os meus olhos parecem enxergar. Esse caminho, hoje tão conformista e cinza, tornou-se apenas mais uma passagem dentre outras que atravessam meu cotidiano.
As pessoas de outrora desapareceram na paisagem. Tudo se tornou inconstante e finito ao longo dos dias. Somente os momentos ficaram eternos aos meus olhos, escondidos por trás do óculos escuro.
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A janela estava entreaberta…
E eu não acreditei na solidão que a brisa fria da noite sem lua me trazia. O céu não olhava para mim. As estrelas, a lua… Se esconderam.
A viagem foi mais rápida hoje, não tinha mais o livro em mãos. Havia pensamentos, detalhes que corroiam a minha percepção de que… a pessoa que estava ao meu lado queria passar… Deixei escapar o olhar vazio, olhar de quem não estava vigiando realmente os olhos daquela senhora que me fitava de maneira forte, como quem quer descobrir o porque da pessoa a olhar tão fixamente, e inexpressivamente. Deixei escapar que meu fone caiu, que minha mochila estava aberta, qu’eu simplismente estava preocupado.
A lotação mentia o seu nome, e variava entre o cheio e o vazio, não lotado. Aos poucos eu fui me recompondo, acho que ainda existem velhas piadas, novos sorrisos, novas formas de colocar uma mascara e fingir que está tudo bem.
Pensamentos
A sua descrição do que é vivo não condiz com a minha, a final, o que é estar vivo?
Antes da hora do jantar, a união da família mostra que há um sentido para o que nós pensamos, acreditar e te certeza que não nos enganamos quanto a todos. Essa noite, todos foram dormir em quartos separados e não houve janta, não houve abraços, não houve noite.
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Eu sinto,
Que não consigo mais sentir meu pés. Que não consigo mais me referir a mim mesmo pelo nome, e nem responder aos outros que está “tudo bem”…
O tempo me fez cansar, me fez envelhecer. Mas… Ou Porém… No fim, tanto faz, do que adianta se lamentar se os nossos pés mesmos não estão no chão?
A janela. Ah! A janela. Tinham flores ali, eu lembro sim! Lembro de quando as reguei, quando abri a janela para arejar o local, lembro quando pintei suas grades, de quando as flores murcharam e o vento derrubou seu vaso.
Me sinto como o vaso agora, vazio. Falta completar, falta regar, a falta que o amor me faz.
Se fosse com os olhos que a rua me enxergar, eu teria mais conforto do o que eu sinto agora, pois os olhos das pessoas que me seguem, são os de quem em alguém quer reparar, olhar, conhecer, entender, saber o porque.
Pensamento
Hey, você! É, você sim! venha cá, preencha meu coração.
Só sons, que eu não escuto, que eu me isolo, para não escutar, os sons que você faz, que eu não escuto, que eu quero escutar, mas que eu não posso escutar. Só queria ouvir seus passos de novo.
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