Tem dias em que eu acordo banhada em meus sonhos. Não aqueles que se têm ao dormir, mas sim aqueles que me invadem a qualquer hora do dia. Quando ele chega, desejo me desprender de tudo o que me cerca, de tudo que possa me fazer abrir os olhos. Há um sentimento de angústia mas, ao mesmo tempo, de conforto.
A música toca meus ouvidos e o nível alto me leva para longe do que há de real em volta de mim. Recuso-me a ouvir os passos, as vozes, ou até mesmo as folhas. Penso em tudo o que hoje eu não poderei tocar: viagens, abraços, olhares e ventos distantes. Tudo tão inalcansável diante das cores e dos papéis quem vivem em meus dias.
Enquanto o tempo é o meu castigo, enquanto os olhares são vazios e a cidade é coberta de tristes boas lembranças, nada posso fazer, senão buscar pontos de fuga, na suavidade de uma música ou numa foto de revista. Mas acordarei para moldar meu sonho, enquanto minha lágrima não for capaz de trazê-lo para perto de mim.
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